sábado, 22 de janeiro de 2011

Cruzada da Cordilheira: de Mendoza à fronteira com o Chile

Vai ser muito difícil escrever sobre o dia de hoje. Foram emoções muito intensas, paisagens inacreditáveis e lugares inesperados. Mas vamos nos esforçar para tentar passar um pouco disso tudo.  Postaremos mais fotos do que textos, pois o dia foi totalmente visual.

Acordamos cedinho. As 8 da manhã já estávamos saindo de Mendoza pela RP52 em direção às curvas de Villavicencio – o caminho das 365 curvas. No começo a estrada era uma reta gigante, um sentadão, que terminou quando começou a pré-cordilheira. Nisso apareceu uma plaquinha: início do caminho sinuoso. 

Pré-Cordilheira


Do nada, as montanhas começaram a crescer, as curvas ficaram mais acentuadas e as pendentes cada vez maiores. Fizemos menos de 100 km em mais de três horas e subimos até 3 mil metros de altitude. Daí começamos a descer.

Curvas de Villavicencio - 2000 metros

Algumas das curvas

Após as 365 curvas, na região 'plana', apareceram as lhamas

Do outro lado destas montanhas está a cidade de Uspallata, onde a RP52 se encontra com RN7. Pegamos, então, esta ruta para o oeste, onde tem vários pontos turísticos.




Nossa primeira parada foi na estação de esqui de Los Penitentes. É engraçado ver uma estação de esqui no verão. Como o cerro está completamente sem neve, fica difícil de saber quais baixadas são as pistas. Mas acho que deu para identificar umas três pistas e um caminito – ou não! As cadeirinhas que levam até a primeira pista estavam abertas, mas não subimos, pois achamos que a pouca altura não valia os 35 pesos que cobraram por pessoa.


A estação em si é bem diferente do que estamos acostumados. A RN7 passa no meio dela. De um lado está o cerro ‘esquiável’ e do outro uma montanha muito linda! Cheia de rochas de vários formatos e cores. Dos dois lados tem hotéis e restaurantes - quase todos fechados e vazios. Com exceção de dois: um hotel e um refúgio. Escolhemos este último para passar a noite de hoje.


Com o lugar do pouso já decidido, seguimos para Puente del Inca. Um outro vilarejo a 10 km de Penitentes formado por não mais que 10 casas e pousadas e uma feirinha de artesãos. Mas o ponto alto do lugar é uma ponte natural formada por rochas que passa por cima do rio Mendoza. Neste mesmo lugar estão as ruínas de um antigo hotel termal. Ainda dá para ver as águas que vertem das rochas. É sensacional!

Puente del Inca
Ventinho clássico da região

Andamos menos de 10 km e chegamos ao Parque Provincial Aconcágua. Pagamos 10 pesos cada um e entramos no parque para fazer a caminhada básica - uns 40 minutos, contando as muitas paradas para fotos. 



A caminhada é feita no vale de uma antiga geleira, onde hoje corre o rio Horcones. Há montanhas para todos os lados e é por este trajeto que os andinistas começam as suas caminhadas. São mais de 4 mil pessoas que sobem o Aconcágua por ano. Foi muito tri passar por vários montanhistas profissionais com suas enormes mochilas e caminhando com bastões pelas rotas do parque. A sensação de estar no meio dos Andes é quase indescritível! Nos sentimos uns ‘nadas’ no meio de toda aquela imensidão.

Ermitão



Não conseguimos ver o Aconcágua, pois ele estava coberto de nuvens. Uma pena.



Achamos que as emoções fortes tinham terminado. Resolvemos conhecer o Cristo Redentor de los Andes - uma estátua que demarca a fronteira entre Argentina e Chile. Só não sabíamos que ele ficava a 4 mil metros de altitude. Haja suspiros! Pegamos a estradinha de chão e o Cristo ficava no alto de um daqueles paredões que víamos do vale (onde fica a estrada).



A estradinha simplesmente não parava de serpentear morro acima. Já estávamos na altura das neves e nada do cristo aparecer. Cristo!! Nisso, teve gente (Felipe) que começou a agoniar profundamente. Não podia olhar para baixo. Ainda bem, pois era ele que estava dirigindo. Chegamos lá em cima e o termômetro do carro marcava 10 graus. Ao ar livre tinha um vento muito forte. Sensação térmica perto do zero, tranquilamente. Era difícil até de respirar. Mas valeu a pena toda a adrenalina da subida.

Felipe de sorriso congelado a 4000 metros de altitude

Cristo Redentor

Eram quatro da tarde, estávamos cansados e resolvemos voltar para Penitentes. Fomos para o refúgio já contatado antes. Descobrimos que é um local dedicado à logística de expedições ao Aconcágua. E cá estamos! Os donos são muito legais e o lugar é uma graça! E o melhor de tudo é que na diária está incluída a janta e o café da manhã. O lugar no inverno é voltado aos esquiadores e no verão aos andinistas. Já tomamos mate, cerveja e banho!


Refúgio Cruz de Caña
A noite em Penitentes foi totalmente especial. A janta estava boa e o quarto era bem quentinho! No outro dia de manhã tomamos o café do refúgio e partimos pro Chile. Fica a dica: www.lanko.com.ar  - é o site do dono do lugar e chefe de expedições ao Aconcágua.  Se alguém se agradar da idéia (viu, Mecânico!), vale a pena!

ps: um agradecimento especial ao Marcelito pelas dicas dessas bandas! Sabe tudo!

Beijos a todos!
   

3 comentários:

  1. demaaais!!! As curvas lembram a Cerra do Rio do Rastro, em SC, mas claro, que aí deve ter muuuito mais emoção! ehehe beijooos até a próxima!!

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  2. Ola... estamos curtindo junto...
    faltaram fotos do Cristo!!
    beijos

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  3. nossa !!! eu durante a leitura do diario de viagem deste dia fiquei quase sem ar só ao imaginar tanta subida e curvas(..e com nauseas tb hehehe)..Mas estou me divertindo e curtindo muito esta viagem virtual..sem duvidas lugares lindos..bjs

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